Aves

Até hoje foram catalogadas 586 espécies de aves na região do Cristalino e Alta Floresta, o que representa cerca de 50% do total de espécies da Amazônia e aproximadamente um terço das aves do Brasil.

A região é habitada por pássaros dificilmente vistos, incluindo espécies restritas à zona geográfica dos Rios Tapajós, Madeira e Xingu. Dentre algumas aves de destaque, pode-se citar espécies presentes em bambuzais como a Freirinha-de-coroa-castanha (Nonnula ruficapilla), Chororó-de-manu (Cercomacra manu), Puruchém (Synallaxis cherriei), Limpa-folha-de-bico-virado (Syndactyla ucayalae / Simoxenops ucayalae), Barranqueiro-de-topete (Anabazenops dorsalis), Choquinha-ornada (Epinecrophylla ornata) e Polícia-do-mato (Granatellus pelzelni).

Dentre as espécies de grande porte, pode-se citar o Jacu-verdadeiro (Aburria cujubi / Pipile cujubi), Mutum-cavalo (Pauxi tuberosa / Mitu tuberosum), Mutum-de-penacho (Crax fasciolata), Socoí-zigue-zague (Zebrilus undulatus), Garça-da-mata (Agamia agami), Anambé-preto (Cephalopterus ornatus) e muitas Arirambas, como a Ariramba-da-mata (Galbula cyanicollis), Ariramba-bronzeada (Galbula leucogastra), Ariramba-do-paraíso (Galbula dea) e Jacamaraçu (Jacamerops aureus). Espécies interessantes de Bucconidaes incluem o Macuru-de-peito-marrom (Notharchus ordii), Rapazinho-estriado (Nystalus striolatus), Rapazinho-de-colar (Bucco capensis), Barbudo-de-pescoço-ferrugem (Malacoptila rufa), Macuru-de-testa-branca (Notharchus hyperrhynchus), Macuru-pintado (Notharchus tectus), Rapazinho-carijó (Bucco tamatia) e Urubuzinho (Chelidoptera tenebrosa).

No nível mais próximo do solo, a floresta é povoada por uma variedade de espécies das famílias Thamnophilidae, Formicariidae e Grallariidae, que competem no mesmo habitat de espécies fascinantes de uirapurus, tangarás, soldadinhos e fruxus, tais como o Tangará-falso (Chiroxiphia pareola), Cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), Uirapuru-de-chapéu-branco (Lepidothrix nattereri), Uirapuru-cigarra (Machaeropterus pyrocephalus) e Coroa-de-fogo (Heterocercus linteatus).

Nas margens do rio, espécies de coloração muito viva de martins-pescadores são geralmente encontradas como o Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata), Martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona), Martim-pescador-pequeno (Chloroceryle americana), Martim-pescador-da-mata (Chloroceryle inda) e Martinho (Chloroceryle aenea). 

Na parte alta da copa das árvores pode-se encontrar seis diferentes espécies de araras: Araracanga (Ara macao), Arara-canindé (Ara ararauna), Maracanã-guaçu (Ara severus), Arara-vermelha-grande (Ara chloropterus), Maracanã-verdadeira (Primolius maracana) e Maracanã-do-buriti (Orthopsittaca manilatus / Orthopsittaca manilata), além de diversas espécies de papagaios como a Marianinha-de-cabeça-amarela (Pionites leucogaster), Curica-de-bochecha-laranja (Pyrilia barrabandi), Maitaca-de-cabeça-azul (Pionus menstruus), Papagaio-dos-garbes (Amazona kawalli) e Anacã (Deroptyus accipitrinus), bem como os magníficos periquitos Tiriba-do-madeira (Pyrrhura snethlageae / Pyrrhura amazonum snethlageae), Periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus / Aratinga leucophthalma), Tuim-de-bico-escuro (Forpus modestus), Periquito-de-asa-dourada (Brotogeris chrysoptera) e Tiriba-de-barriga-vermelha (Pyrrhura perlata). Outras espécies encontradas na copa das árvores incluem diversas Cotingas como Anambé-azul (Cotinga cayana), Anambé-pompadora (Xipholena punicea) e Cotinga-de-garganta-encarnada (Porphyrolaema porphyrolaema); espécies de saíras como o Anambé-pombo (Gymnoderus foetidus), Sete-cores-da-amazônia (Tangara chilensis) e Saíra-Diamante (Tangara velia); além do Anambé-de-coroa (Iodopleura isabellae). Araçaris muito coloridos e alegres são vistos com frequência comendo frutos das palmeiras como o carismático Araçari-mulato (Pteroglossus beauharnaesii) e o Araçari-de-pescoço-vermelho (Pteroglossus bitorquatus).

Dentre outras aves possíveis de serem vistas incluem a Coruja-preta (Ciccaba huhula), Coruja-de-crista (Lophostrix cristata) e Caburé-da-amazônia (Glaucidium hardyi), bem como a Mãe-da-lua-parda (Nyctibius aethereus) e Mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis). De manhã bem cedo ou no final da tarde tanto o Gaivão real (Harpia harpyja) quanto o Uiraçu-falso (Morphnus guianensis) são algumas vezes observados.

“Adorei cada item da experiência. O rico ambiente, as trilhas, as torres de observação, os mirantes, a estrutura do lodge, os habilidosos guias, o pessoal do staff e, sobretudo, as aves que povoam esse pedaço de Amazônia de admirável diversidade e beleza!"
José Fernando Pacheco, ornitólogo e editor do livro "Ornitologia Brasileira", de Helmut Sick
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